<description>&lt;p&gt;&amp;Acirc;ngela chegou &amp;agrave;s casas de acolhimento com 5 anos. Aos 13 anos, veio do Porto para Lisboa, para um novo acolhimento residencial, onde ficaria at&amp;eacute; aos 20 anos. Viveu 15 anos em casas, mas nem por isso em fam&amp;iacute;lia. Com pessoas que entraram e sa&amp;iacute;ram. Adultos que a acompanhavam como profiss&amp;atilde;o. Ainda viveu numa casa de autonomia at&amp;eacute; aos 22 anos. No total, 17 anos. O percurso posterior da &amp;Acirc;ngela n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; sido o mais habitual em quem come&amp;ccedil;ou a vida nas piores condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Acabou o ensino secund&amp;aacute;rio, foi para a faculdade, fez o mestrado e est&amp;aacute;, neste momento, a fazer o est&amp;aacute;gio da Ordem dos Psic&amp;oacute;logos. N&amp;atilde;o s&amp;oacute;, porque aos 25 anos deixou de ter direito ao apoio do Estado para quem, estando nas suas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, continua a estudar. Sem qualquer rede familiar de apoio, trabalha na Zara e, nas horas extra, ainda faz algum trabalho de modelo. A vida da &amp;Acirc;ngela daria sempre para uma excelente conversa. O facto da sua tese de mestrado ter sido sobre a experi&amp;ecirc;ncia do acolhimento residencial de outros jovens ainda a pode tornar mais rica. Porque olha de dentro e de fora para uma realidade que, apesar de todas as dificuldades, mudou nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas. Quando fiz o meu primeiro trabalho sobre crian&amp;ccedil;as institucionalizadas, no in&amp;iacute;cio dos anos 90, o cen&amp;aacute;rio era ainda mais agreste. Este &amp;eacute; um epis&amp;oacute;dio especial, integrado na celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Dia Internacional da Crian&amp;ccedil;a. A &amp;Acirc;ngela j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; crian&amp;ccedil;a. Mas &amp;eacute; agora, com 26 anos, que olha para a inf&amp;acirc;ncia e a adolesc&amp;ecirc;ncia que determinou a forma como se v&amp;ecirc; e v&amp;ecirc; os outros, como escreveu no seu Instagram.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;See &lt;a href="https://omnystudio.com/listener"&gt;omnystudio.com/listener&lt;/a&gt; for privacy information.&lt;/p&gt;</description>

Perguntar Não Ofende

Daniel Oliveira

Especial Dia Mundial da Criança com Ângela Fernandes, 26 anos, 17 em casas de acolhimento, psicóloga: é possível crescer institucionalizado e ser um adulto estruturado?

JUN 1, 202680 MIN
Perguntar Não Ofende

Especial Dia Mundial da Criança com Ângela Fernandes, 26 anos, 17 em casas de acolhimento, psicóloga: é possível crescer institucionalizado e ser um adulto estruturado?

JUN 1, 202680 MIN

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Ângela chegou às casas de acolhimento com 5 anos. Aos 13 anos, veio do Porto para Lisboa, para um novo acolhimento residencial, onde ficaria até aos 20 anos. Viveu 15 anos em casas, mas nem por isso em família. Com pessoas que entraram e saíram. Adultos que a acompanhavam como profissão. Ainda viveu numa casa de autonomia até aos 22 anos. No total, 17 anos. O percurso posterior da Ângela não terá sido o mais habitual em quem começou a vida nas piores condições. Acabou o ensino secundário, foi para a faculdade, fez o mestrado e está, neste momento, a fazer o estágio da Ordem dos Psicólogos. Não só, porque aos 25 anos deixou de ter direito ao apoio do Estado para quem, estando nas suas condições, continua a estudar. Sem qualquer rede familiar de apoio, trabalha na Zara e, nas horas extra, ainda faz algum trabalho de modelo. A vida da Ângela daria sempre para uma excelente conversa. O facto da sua tese de mestrado ter sido sobre a experiência do acolhimento residencial de outros jovens ainda a pode tornar mais rica. Porque olha de dentro e de fora para uma realidade que, apesar de todas as dificuldades, mudou nas últimas décadas. Quando fiz o meu primeiro trabalho sobre crianças institucionalizadas, no início dos anos 90, o cenário era ainda mais agreste. Este é um episódio especial, integrado na celebração do Dia Internacional da Criança. A Ângela já não é criança. Mas é agora, com 26 anos, que olha para a infância e a adolescência que determinou a forma como se vê e vê os outros, como escreveu no seu Instagram.See omnystudio.com/listener for privacy information.