<description>&lt;p&gt;Depois de uma greve geral conjunta e de longos nove meses de negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que muitos viram como encena&amp;ccedil;&amp;atilde;o do governo, da UGT ou dos dois, n&amp;atilde;o houve acordo para altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lei laboral. Altera&amp;ccedil;&amp;otilde;es que o governo apresenta como fundamentais para o aumento da produtividade e dos sal&amp;aacute;rios, apesar de nenhuma evid&amp;ecirc;ncia emp&amp;iacute;rica indicar que o enquadramento da lei &amp;eacute; relevante para esses dois objetivos. Uma negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que, de um lado, havia linhas vermelhas e do outro havia traves mestras. E que, tendo sempre como ponto de partida a perda de direitos dos trabalhadores, sem qualquer ganho relevante, o ponto de chegada nunca poderia ser equilibrado. Mesmo assim, a UGT manteve-se nele, at&amp;eacute; depois da ministra. De forma unilateral, ter exclu&amp;iacute;do a CGTP, e mais nenhum parceiro social, do processo. Chegado ao fim, Ros&amp;aacute;rio da Palma Ramalho concluiu que, afinal, aquele com quem tinha estado a negociar durante nove meses representava muito poucos trabalhadores. Agora, o diploma segue para onde, na realidade, o governo sempre desejou que seguisse: uma negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o Chega, o mais vol&amp;uacute;vel dos partidos. Sendo vol&amp;uacute;vel, tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; o mais sens&amp;iacute;vel &amp;agrave; press&amp;atilde;o da rua. E, apesar dessa fragilidade, &amp;eacute; neste preciso momento que as duas centrais sindicais resolvem dividir-se. Uma porque marcou uma greve geral sem esperar e coordenar com a outra, outra porque est&amp;aacute; &amp;agrave; espera de uma negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o parlamentar, em vez de a condicionar. &amp;Eacute; o que se chama &amp;ldquo;morrer na praia&amp;rdquo;.&amp;nbsp;Para falarmos deste processo e, acima de tudo, por ser o que mais interessa &amp;agrave;s pessoas, do que podem mudar numa legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o laboral que, segundo todos os estudos de opini&amp;atilde;o, tem a rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o da larga maioria dos portugueses, recebemos M&amp;aacute;rio Mour&amp;atilde;o, secret&amp;aacute;rio-geral da UGT.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;See &lt;a href="https://omnystudio.com/listener"&gt;omnystudio.com/listener&lt;/a&gt; for privacy information.&lt;/p&gt;</description>

Perguntar Não Ofende

Daniel Oliveira

Mário Mourão, secretário-geral da UGT: para que serviram nove meses de negociação da lei laboral?

MAY 22, 202672 MIN
Perguntar Não Ofende

Mário Mourão, secretário-geral da UGT: para que serviram nove meses de negociação da lei laboral?

MAY 22, 202672 MIN

Description

Depois de uma greve geral conjunta e de longos nove meses de negociação, que muitos viram como encenação do governo, da UGT ou dos dois, não houve acordo para alteração da lei laboral. Alterações que o governo apresenta como fundamentais para o aumento da produtividade e dos salários, apesar de nenhuma evidência empírica indicar que o enquadramento da lei é relevante para esses dois objetivos. Uma negociação em que, de um lado, havia linhas vermelhas e do outro havia traves mestras. E que, tendo sempre como ponto de partida a perda de direitos dos trabalhadores, sem qualquer ganho relevante, o ponto de chegada nunca poderia ser equilibrado. Mesmo assim, a UGT manteve-se nele, até depois da ministra. De forma unilateral, ter excluído a CGTP, e mais nenhum parceiro social, do processo. Chegado ao fim, Rosário da Palma Ramalho concluiu que, afinal, aquele com quem tinha estado a negociar durante nove meses representava muito poucos trabalhadores. Agora, o diploma segue para onde, na realidade, o governo sempre desejou que seguisse: uma negociação com o Chega, o mais volúvel dos partidos. Sendo volúvel, também é o mais sensível à pressão da rua. E, apesar dessa fragilidade, é neste preciso momento que as duas centrais sindicais resolvem dividir-se. Uma porque marcou uma greve geral sem esperar e coordenar com a outra, outra porque está à espera de uma negociação parlamentar, em vez de a condicionar. É o que se chama “morrer na praia”. Para falarmos deste processo e, acima de tudo, por ser o que mais interessa às pessoas, do que podem mudar numa legislação laboral que, segundo todos os estudos de opinião, tem a rejeição da larga maioria dos portugueses, recebemos Mário Mourão, secretário-geral da UGT.See omnystudio.com/listener for privacy information.