#41: Augusto Fragoso - Os desafios do regulador num setor em permanente transformação

JAN 25, 202353 MIN
Future Enterprise Show

#41: Augusto Fragoso - Os desafios do regulador num setor em permanente transformação

JAN 25, 202353 MIN

Description

<p>Num sector em ebulição permanente, o papel do regulador nem sempre é dos mais fáceis. Augusto Fragoso, director-general for Information and Innovation na ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, e o mais recente convidado do Future Enterprise Show, veio dar conta disso mesmo.</p> <p>O FES é um espaço de conversa e debate que junta Fernando Bação, professor na Nova IMS e Gabriel Coimbra, Group Vice president and country manager da IDC, a alguns dos principais stakeholders de organizações nacionais. Objetivo último: debater o futuro das organizações e da sua capacidade de inovação, numa economia cada vez mais digital.</p> <p>Mas, antes de mergulhar no mundo das telecomunicações, importa saber o que fez de Augusto Fragoso o profissional que é hoje? “Pergunta sempre difícil porque acredito que a nossa intervenção é feita com base em dois vetores: um de virtudes e outro de defeitos”, garantiu.</p> <p>Assim sendo, as características mais marcantes que opta por salientar são “uma opção não dogmática perante todas as coisas da vida, entender de onde vêm, fazer as perguntas certas e procurar as respostas para termos uma opção mais equilibrada no momento de decidir; salientar ainda uma curiosidade normal e natural por todas as coisas, pelos próprios perfis e pelas pessoas”. Depois “referir alguns defeitos inevitáveis e um deles é a resiliência – há quem lhe chame teimosia –, mas quero aludir aqui à ideia de não nos deixarmos vencer quer no aspeto da curiosidade quer da ação e irmos um pouco mais à frente sempre que possível, na senda da <em>one last mile</em>”.</p> <p>Das características do profissional, para as mais marcantes do setor na atualidade. Augusto Fragoso acredita que, tendo um duplo papel de regulador e consumidor, terá sempre “uma vertente muito vincada da utilização pratica e pragmática daquilo que a tecnologia nos dá enquanto cidadãos”.</p> <p>O responsável da ANACOM considera, ainda assim, este setor como “um dos mais determinantes” que vive “um momento acelerado, fruto daquilo que a tecnologia traz, por exemplo, em áreas como o 5G e 6G”. Dito isto, importa não descurar “a forma como a tecnologia se introduz na sociedade” e, no caso de um regulador, “pensar nos riscos do ponto de vista societário que uma adoção acelerada e não ponderada da tecnologia poderia trazer”. Mas Augusto Fragoso deixa um alerta: “Muitas vezes regular é decidir não regular”.</p> <p>A viver um momento de viragem, com duas tecnologias soberanas – a capacidade de computação através da promessa quântica e a capacidade de telecomunicações –, Augusto Fragoso sublinha a necessidade de se perceber “a importância do mundo funcionar em rede, num sentido lato, e de essa capacidade ser também transposta para a vertente tecnológica”.</p> <p>Questionado relativamente aos desafios do setor, o responsável da ANACOM não tem dúvidas: a falta de mão de obra qualificada. “A capacidade humana de endereçar os desafios é o maior desafio em si, e se hoje já somos claramente deficitários, isso vai piorar com o tempo face ao enorme défice de conhecimentos que se verifica”. No caso da ANACOM este é um problema ainda mais premente, muito por causa das restrições às quais o regulador se obriga.</p> <p>“Eu diria que nós temos esse problema em três patamares diferentes: um primeiro que tem a ver com a própria natureza estatuária da ANACOM e as restrições a que somos obrigados”, referiu Augusto Fragoso. E outros dois patamares abordados e amplamente discutidos na conversa com os dois moderadores do FES. De resto, houve ainda tempo para falar sobre o tipo de relacionamento que a ANACOM mantem com os seus congéneres europeus, da aludir às vantagens e características das Zonas Livres Tecnológicas, com algumas curiosidades à mistura, e de perceber se a regulação deve atuar preventivamente ou à posteriori para evitar repetição de falhas.</p>