<description>&lt;p&gt;No final da &amp;uacute;ltima d&amp;eacute;cada, apostar deixou de significar ir ao casino, escolher uma &lt;em&gt;slot machine&lt;/em&gt; ou sentar‑se &amp;agrave; mesa a jogar cartas. Hoje, basta um telem&amp;oacute;vel, um &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt;, um rel&amp;oacute;gio digital.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Do futebol &amp;agrave;s criptomoedas, das &lt;em&gt;loot boxes&lt;/em&gt; nos videojogos aos mercados de previs&amp;atilde;o, o acto de apostar entrou em quase todas as esferas da cultura digital &amp;mdash; mesmo que n&amp;atilde;o lhe chamemos &amp;ldquo;jogo&amp;rdquo;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas que fen&amp;oacute;meno &amp;eacute; este que transforma videojogos, mercados, elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es e tend&amp;ecirc;ncias num mesmo circuito de risco e recompensa, alimentado por figuras p&amp;uacute;blicas, equipas desportivas e plataformas &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;? E que efeito tem tudo isto numa gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o que cresce com notifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es constantes e promessas de ganhos imediatos?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Neste epis&amp;oacute;dio do &lt;em&gt;podcast&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; Como Assim&lt;/strong&gt;, mergulhamos num fen&amp;oacute;meno que se tornou quase omnipresente e j&amp;aacute; h&amp;aacute; uma express&amp;atilde;o para isso: a &amp;ldquo;&lt;strong&gt;gamblifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&amp;rdquo; da sociedade &amp;mdash; e procuramos perceber o impacto que isso est&amp;aacute; a ter na cultura, no desporto e na sa&amp;uacute;de p&amp;uacute;blica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A psiquiatra &lt;strong&gt;In&amp;ecirc;s Homem de Melo&lt;/strong&gt;, especialista em comportamentos aditivos, explica que a acessibilidade &amp;eacute; meio caminho andado para o v&amp;iacute;cio: quando a &amp;ldquo;droga de elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; est&amp;aacute; sempre no bolso, a barreira &amp;agrave; experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o desaparece.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O psic&amp;oacute;logo &lt;strong&gt;Pedro Hubert&lt;/strong&gt;, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, tem visto a idade dos apostadores que lhe aparecem no consult&amp;oacute;rio diminuir a olhos vistos. Muitos come&amp;ccedil;aram nos videojogos e acabam a apostar nos mercados financeiros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entretanto, entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; cresceram 258%, de 336,4 milh&amp;otilde;es para 1206 milh&amp;otilde;es de euros. O maior crescimento foi nos jogos de sorte e azar, que registaram uma subida de 334%; mas as apostas desportivas tamb&amp;eacute;m subiram significativamente (178%). E a liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre casas de apostas e clubes tornou‑se t&amp;atilde;o profunda que, hoje, treze das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola; as restantes na manga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para o investigador &lt;strong&gt;Marcelo Moriconi&lt;/strong&gt;, do ISCTE, esta simbiose est&amp;aacute; a transformar a forma como consumimos desporto: &amp;ldquo;&amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil consumir desporto sem receber incentivos para apostar&amp;rdquo;, diz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No final, a pergunta inevit&amp;aacute;vel &amp;eacute;: onde fica a regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no meio disto tudo? &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel e vale a pena regular? E como podemos faz&amp;ecirc;-lo?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Neste epis&amp;oacute;dio ouvimos tamb&amp;eacute;m Bernardo Neves, secret&amp;aacute;rio-geral da APAJO - Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Portuguesa de Apostas e Jogos Online, e Lu&amp;iacute;s Pisco, jurista da Deco.&lt;/p&gt; &lt;hr&gt; &lt;p&gt;Siga o &lt;em&gt;podcast&lt;/em&gt; &lt;a href="https://www.publico.pt/podcast-comoassim" data-cke-saved-href="https://www.publico.pt/podcast-comoassim"&gt;#ComoAssim&lt;/a&gt; e receba cada epis&amp;oacute;dio quinzenalmente, &amp;agrave; quarta-feira no &lt;a href="https://open.spotify.com/show/7cdu7q9IGoQyMKJd3Nabwt" data-cke-saved-href="https://open.spotify.com/show/7cdu7q9IGoQyMKJd3Nabwt"&gt;Spotify&lt;/a&gt;, na &lt;a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/como-assim/id1712682808" data-cke-saved-href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/como-assim/id1712682808"&gt;Apple Podcasts&lt;/a&gt; ou noutras &lt;a href="https://www.publico.pt/podcasts" data-cke-saved-href="https://www.publico.pt/podcasts"&gt;aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es para &lt;/a&gt;&lt;a href="https://www.publico.pt/podcasts" data-cke-saved-href="https://www.publico.pt/podcasts"&gt;&lt;em&gt;podcasts&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conhe&amp;ccedil;a os &lt;em&gt;podcasts&lt;/em&gt; do P&amp;Uacute;BLICO em &lt;a href="https://www.publico.pt/podcasts" data-cke-saved-href="https://www.publico.pt/podcasts"&gt;publico.pt/podcasts&lt;/a&gt;. 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Como Assim

Inês Rocha/ #ComoAssim / PÚBLICO

Apostamos em tudo, do futebol às eleições. Há uma epidemia de “gambling”? — Como Assim

APR 1, 202636 MIN
Como Assim

Apostamos em tudo, do futebol às eleições. Há uma epidemia de “gambling”? — Como Assim

APR 1, 202636 MIN

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No final da última década, apostar deixou de significar ir ao casino, escolher uma slot machine ou sentar‑se à mesa a jogar cartas. Hoje, basta um telemóvel, um tablet, um relógio digital. Do futebol às criptomoedas, das loot boxes nos videojogos aos mercados de previsão, o acto de apostar entrou em quase todas as esferas da cultura digital — mesmo que não lhe chamemos “jogo”. Mas que fenómeno é este que transforma videojogos, mercados, eleições e tendências num mesmo circuito de risco e recompensa, alimentado por figuras públicas, equipas desportivas e plataformas online? E que efeito tem tudo isto numa geração que cresce com notificações constantes e promessas de ganhos imediatos? Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos num fenómeno que se tornou quase omnipresente e já há uma expressão para isso: a “gamblificação” da sociedade — e procuramos perceber o impacto que isso está a ter na cultura, no desporto e na saúde pública. A psiquiatra Inês Homem de Melo, especialista em comportamentos aditivos, explica que a acessibilidade é meio caminho andado para o vício: quando a “droga de eleição” está sempre no bolso, a barreira à experimentação desaparece. O psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, tem visto a idade dos apostadores que lhe aparecem no consultório diminuir a olhos vistos. Muitos começaram nos videojogos e acabam a apostar nos mercados financeiros. Entretanto, entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online cresceram 258%, de 336,4 milhões para 1206 milhões de euros. O maior crescimento foi nos jogos de sorte e azar, que registaram uma subida de 334%; mas as apostas desportivas também subiram significativamente (178%). E a ligação entre casas de apostas e clubes tornou‑se tão profunda que, hoje, treze das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola; as restantes na manga. Para o investigador Marcelo Moriconi, do ISCTE, esta simbiose está a transformar a forma como consumimos desporto: “é muito difícil consumir desporto sem receber incentivos para apostar”, diz. No final, a pergunta inevitável é: onde fica a regulação no meio disto tudo? É possível e vale a pena regular? E como podemos fazê-lo? Neste episódio ouvimos também Bernardo Neves, secretário-geral da APAJO - Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, e Luís Pisco, jurista da Deco. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para [email protected] omnystudio.com/listener for privacy information.