Quando não entendemos a Deus

SEP 20, 202630 MIN

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A Cruz aparece na vida como uma encruzilhada. Diante da dor, podemos nos fechar ou continuar acreditando que Deus permanece sendo Pai. Demétrio de Faleros, depois de conhecer poder, prestígio e queda, passou a enxergar a existência sob o domínio da Fortuna, capaz de frustrar todos os nossos cálculos. O sofrimento pode provocar em nós a mesma pergunta: a vida ainda tem sentido? Rejeitar a cruz pode agir como um buraco negro, sugando as coisas boas da vida e tornando o coração menor e amargurado. Foi o que aquele pai percebeu em Torreciudad: revoltado com Deus pela doença do filho, descobriu, através da oração inocente do menino diante de Nossa Senhora, que também ele precisava ser curado. Abraçar a Cruz pela fé produz o movimento contrário: abre o coração. Como uma árvore que estende seus galhos e dá frutos, a Cruz pode transformar sofrimento em fecundidade. A pergunta decisiva passa a ser: continuo acreditando que Deus me ama, quer o meu bem e é meu Pai? Essa confiança chega ao seu ponto mais profundo em Jesus. Hebreus apresenta Cristo aprendendo a obediência através do sofrimento; São Lucas mostra Jesus crucificado continuando a chamar Deus de Pai; São João contempla a Cruz como fonte da água viva do Espírito Santo; e São Paulo ensina que recebemos o Espírito de filhos, pelo qual clamamos: "Abbá, Pai". São Josemaria experimentou essa realidade em meio a uma grande amargura, quando as palavras "tu és meu filho" fizeram brotar repetidamente de seu coração: "Abba, Pater!". A Cruz não é simplesmente a exaltação da dor, mas um caminho para descobrir mais profundamente nossa filiação divina. Nossa Senhora mostra como atravessar essa encruzilhada. Maria acreditou em Belém, na fuga de Herodes, durante a vida escondida de Jesus e permaneceu acreditando aos pés da Cruz. Ela não permitiu que as provações destruíssem sua confiança em Deus. Quando a Cruz chegar, o caminho cristão é permanecer junto de Maria, abrir os braços com Cristo e continuar dizendo, mesmo sem compreender tudo: Abbá, Pai. __________________Referências: Demétrio de Faleros: Περὶ Τύχης (Sobre a Fortuna) Genki Kawamura: Se os gatos desaparecessem do mundo Apontamentos sobre a oração, Caderno 6, Cartuxos anônimos São Josemaria Escrivá: experiência do "Abba, Pater!" e Caminho, ponto 208 Sting: If I Ever Lose My Faith in You